Precisamos de heróis ou de vizinhos?

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um buquê para São Paulo

O líder oposicionista Leopoldo López está preso. Na Venezuela, as notícias apontam o caráter retrógrado do sistema imposto pelo Chavismo. Regime enfraquecido no continuísmo do sucessor Nicolás Maduro.

O duelo Maduro-López reforça o que o escritor venezuelano Alberto Barrera Tyska, avaliou como “o simplismo maniqueísta com que a polarização tende a reduzir tudo a um esquema de partidos, dos bons e dos maus”.

Diante dessa tensão, a disputa política não permite a oxigenação, o surgimento de novos sonhos e, consequentemente, de ideias que contribuam para a melhoria da qualidade de vida da população.

Cria-se um engajamento coletivo baseado na valorização de heróis. E as prateleiras das dispensas continuam vazias.

Sem bandidos ou mocinhos, todos os tipos

Movimentos sociais não deixam de ser arranjos entre vizinhos. Lidam com demandas que surgem nos quarteirões, nas praças, nas escolas e nos sonhos também.  Não se identificam mais com a defesa de plataformas ou reformas baseadas em discursos autoritários de direita ou de esquerda.

Reprimir a mobilização na rua, como estratégia para proteção do patrimônio e da ordem pública, é sustentar um estado paranóico. Ameaçado de todos os lados por essa mistura inclassificável dos vários tipos de gente criativa.

Um canto, um canteiro 

Ideias inovadoras são como ervas daninhas, brotam de frestas insuspeitas, nos solos mais pavimentados da cidade. São legitimadas pelo arranjo social diante de necessidades básicas da vida em comunidade: abastecimento d’água, segurança, educação, lazer.

A coletividade nos ensina muita coisa, nos permite saber a quem recorrer, qual a rede solidária que temos ao nosso redor e como agir para que nunca faltem recursos.

Quando você descobre que existe uma escala de rega na horta coletiva do seu bairro ou uma oficina de música na comunidade, você começa a acreditar que a organização civil é capaz de engendrar criatividade na administração pública.

Um agir nada romântico, um pragmatismo que impõe o entendimento da máquina municipal. São negociações sistemáticas numa rede de poderes que regulam o sistema local de infra-estrutura e que precisamos acionar para garantir o sucesso da empreitada, no caso da cidade de São Paulo: CET – Companhia de Engenharia de Tráfego, SP Obras, sub-prefeituras etc 

A gente se encontra na esquina 

Os últimos números indicam que a atuação da polícia na capital paulistana continua arbitrária. Segundo o jornal O Estado de São Paulo, em apenas duas manifestações, esse ano, a polícia Militar prendeu 397 pessoas, número que supera o total de detenções de 2013. 

Desejamos a ocupação do espaço público, sem um patrulhamento disfarçado de segurança e proteção.  Que mártires, bandidos e mocinhos, fiquem por conta do carnaval. Queremos que prevaleça a força da vizinhança, aqui e na Venezuela.

 

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