Na Paulista, de olhos bem fechados

Eliseu Máximo Filho             foto: Marcelo Carnevale

Eliceu Máximo Filho                                                                 foto: Marcelo Carnevale

Quem alcança a avenida Paulista pela saída do metrô, Consolação/Haddock Lobo, chega num passe de mágica ao apartamento do Eliceu.

Se for no dia em que acontece a meditação coletiva, leva-se menos de dois minutos entre descer do trem, alcançar a escada rolante, cruzar um hall espelhado e tomar o elevador até o décimo terceiro andar.

Das artérias que bombam milhares de pessoas no subterrâneo da avenida até as poltronas dispostas no grande salão do apartamento, passa muito pouco tempo.

O contraste ajuda. Se você sentir uma súbita vontade de dormir, não se assuste. Se um silêncio desavisado se instalar, não é para se preocupar.  É uma sala de estar, consigo mesmo antes de tudo.

Outro padrão de vizinhança

Simultaneidade, sincronicidade e curiosidade dão conta desse encontro entre praticantes. São amigos e diferentes gerações de famílias que se revezam no aprendizado ou comparecem juntas. Todos naquele ambiente generoso que acolhe essa rede, há treze anos.

Eliceu calcula que já passaram mais de setecentas pessoas pela casa, das cinco mil que ele introduziu na prática da meditação transcendental. São trinta e um anos ministrando cursos.

É uma conexão, um compartilhamento. Chegam por lá, também, colegas de pequenos escritórios, participantes advindos de cursos nas empresas e amigos de amigos. “As emoções tem direcionado a vida de muitas nações no mundo”, reflete.

Segundo o professor, meditar é estabelecer um contato da natureza com você. O casamento do espírito com a matéria que acontece dentro de nós. A meditação transcendental  está imbuída da qualidade e do vigor do que está dentro de nós.

Ativa os cinco sentidos, como uma corrente marítima que abarca mais água no fundo do mar e aumenta a dimensão da onda para se manifestar.

Na meditação transcendental se abre mão do controle para surfar altas ondas (internas), vez por outra. 

Tem a ver com uma certa disponibilidade

O ambiente sempre me impressiona pela atmosfera. Algo suspenso no qual é possível encontrar paz, por sobre toda a velocidade que atravessa as pistas da Paulista.

Eliceu é enfático ao garantir que meditar não tem a ver com crenças: tem gente que aprendeu a técnica em presídio, em grupos escolares ou programas corporativos.  Lida com a liberdade de experimentação.

 “A árvore tem a folha verde, a flor vermelha e o fruto doce. Tudo manifestado da seiva. Jogar mais seiva é tornar mais verde, mais vermelho e mais doce. Nutrir-se da própria seiva, que está na base de toda a existência, para nutrir a existência individual.”

Ao abrir a porta do próprio apartamento, essa disponibilidade também abraça a cidade, deixando-a menos frenética, mais silenciosa, mais doce. 

Sim, existe paz em SP:  https://sites.google.com/site/eliceumaximofilho/home

  

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