Chicago, toda a poesia da cidade

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The Poetry Foundation- John Ronan

Com seu projeto para the Poetry Foundation, o arquiteto americano John Ronan declama seu amor por Chicago.

Mais do que a oportunidade de imprimir seu estilo como um dos expoentes da sua geração, Ronan não perdeu a chance de criar um espaço que instiga a vizinhança.

A cidade do vento (windy city) como é conhecida Chicago, é um dos centros urbanos mais expressivos do país. Promove um diálogo arquitetônico que em muito se distancia da ocupação inóspita que assola a maioria das cidades americanas –  com seus shoppings, outlets e parques temáticos.

O desafio de ultrapassar uma arquitetura formal e criar um projeto voltado para a experiência, é o desafio escolhido por Ronan.

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John Ronan poetryfoundationjohnronan.eventbrite.com

“Pensar o que você fez no seu dia, enquanto caminha pelo jardim do prédio da Fundação, e o que isso provocou em você enquanto o sol se vai, está frio, venta e os carros passam. Todo esse conjunto compõe a experiência, mais do que a aparência disso.”

Assim com um verso pode tocar você, andar e encontrar the Poetry Foundation é viver outra perspectiva de Chicago, não importa o tempo de permanência na cidade.

Chegar pela arquitetura, voltar pela poesia

MC: Como fazer da arquitetura um convite para ocupação do espaço público?

JR: Eu penso que a arquitetura pode fazer isso. Podemos caminhar nessa direção. Eu não sei qual a sua experiência, qual o nível dela, mas me deixe te contar o que eu estou tentando fazer.

A Poetry Foundation é um projeto sobre como dar a um prédio um sentido de mistério, aonde alguém possa caminhar e dizer: o que está acontecendo aqui?

Tudo está parcialmente revelado. O projeto foi desenhado para se revelar em camadas. É preciso entrar e apreender um pouco mais. Você vai um pouco mais longe e você capta um pouco mais. Ele se desdobra, espaço por espaço, quase como um poema se revela, linha por linha

MC: É um convite que sugere parar um pouco?

JR: Para diminuir o ritmo. Poesia é uma arte que tem essa demanda, uma certa concentração. E o processo acontece da calçada para a porta de entrada da Fundação. É sobre fazer você diminuir a correria, removendo algumas distrações da cidade e proporcionando uma experiência diferente.

Eu não estou dizendo que isso é apropriado para todos os tipos de prédio. Estou dizendo porque eu fiz isso nesse projeto especificamente. É um prédio sobre poesia, certo? Outros prédios são sobre outras coisas.

Eu penso que é o tipo de projeto no qual muitas pessoas visitam pela primeira vez por conta da arquitetura e voltam por conta da poesia.

MC: Você realmente colocou seu foco nos livros de poesia?

JR: Foi do lugar que partimos. O quanto são grandes e porque eles são diferentes dos outros livros. Eles geralmente são mais finos e menos abrangentes. Porque se trata de versos, têm uma certa escala, então nos indicaram uma direção.

É como se existisse muito espaço em branco na página, destacando  as palavras. Era preciso considerar e ser muito cuidadoso. Pensar para além dessa composição.

MC: Naquele espaço, você pode ler e ouvir poesia ou apreciar exposições sobre o tema. Tudo isso foi bastante contemplado, certo?

JR: Este é o ponto: um mix de coisas. Nós precisamos celebrar a escrita e a leitura de livros. Na minha opinião, as livrarias são muito passivas no approach delas. Tipo: OK nós colocamos os livros na prateleira e esperamos que alguém venha e compre-os.

MC: Você acredita que the Poetry Foundation pode se tornar um destino no roteiro cultural/turístico de Chicago? Ou um endereço certo para os moradores da cidade?

JR: Sim, eu acredito. Eu penso que eles tem programas que atraem um certo segmento da sociedade e penso que construir alguma coisa sem pensar nessa relação direta com o conteúdo, somente nos dá um monte de monumentos.

Quando nós projetamos o espaço de récita, no qual os poetas fazem suas leituras, eles estavam preocupados com que aconteceria numa sala tão grande. São cento e vinte e cinco assentos, uma previsão de público que  nunca tinham atingindo.

Agora, desde que ocuparam o prédio, esgotam todos os eventos. Isso nos diz que construímos um espaço físico para o que é realizado.

produção e entrevista, Marcelo Carnevale                  transcrição, Nuno Mendonça

 

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