O colecionador de céus

 

Luiz de Campos Jr sob o céu do Butantã

Luiz de Campos Jr sob o céu de São Paulo: às vezes o sol não nasce         foto Ravi Cavalieri Campos

Há três anos, diante da janela do seu novo apartamento no Butantã, o susto não foi pequeno. Ao acordar bem cedo, ele deparou-se com toda a beleza do astro-rei. Desde então, Luiz de Campos Jr, geógrafo, estudioso da astrologia, começou a compartilhar o que seus olhos viam: o céu da cidade de São Paulo.

Sua janela se abriu para a rede social. Mesmo o vizinho paulistano mais escondido, num predinho sem vista, encontrou novas perspectivas: fotos de nuvens, manchas azuis, mantos celestes, todos os tons de cinza ou laranja, promessas de verão.

Sol e Mercúrio (invisível) em 11° de virgem. Enquanto isso, aqui, na Terra: bom dia! – at Butantã

Para Luiz, somos vizinhos porque estamos todos juntos sob o mesmo céu. Muitas vezes, ele constata que São Paulo está nublada e o sol “não nasce”. Outros dias, prefere fotos noturnas com o nascer da lua. Tudo para lembrar a gente dos ciclos naturais.

O “bom dia” que vem do Butantã virou um clássico, no café da manhã de vários amigos virtuais. Ao nos apresentar o céu astral paulistano, Luiz abre a crônica do dia com uma frase de locutor: enquanto isso, aqui, na Terra (…). Fico a imaginar como as pessoas completam a frase.

Enquanto isso aqui na Terra: tenho um quilo de contas para pagar, vou buscar meu amor que chegou de viagem, ou ainda,  vou escapar de SP para ver o céu na Chapada dos Veadeiros. Cada um criando a própria sentença.

São Paulo sem drogas sintéticas

Para além dos clichês da megalópole que não pára, com boates, restaurantes e a efervescência cultural (imagens que nos orgulham e seduzem), encontramos uma cidade natural aos olhos de Luiz.

Um olhar inquieto, capaz de perscrutar as nascentes dos rios desaparecidos sob o asfalto da cidade (projeto Rios e Ruas) ou apontar a jogo que os astros nos reservam do apartamento-mirante do Butantã.

Ele já foi guia de aventuras, mochileiro em comunidades alternativas e morador de Aiuruoca, Sul de Minas, onde foi responsável pelo implementação da pousada Patrimônio do Matutu.

Mateiro reconhecido, ele admite: eu voltei para SP e não parei de ver montanha, vale de rio, céu. Não faço esforço para ver a natureza, passo pela avenida Sumaré e, sem parar, dou uma olhada na serra.

Me explicou que mora no vale de um rio – o Pirajuçara. Horizonte que alcança a avenida Paulista. Da janela do apartamento, tem o sol todo o ano. Luiz me ensinou que o meu prédio, na Vila Madalena, fica na bacia do rio Pinheiros, o que me garante o poente panorâmico.

Vizinhança de ideias

No término da conversa, ele ainda me alertou: as pessoas se desligam da natureza por acreditarem que temos que escolher entre tudo o que São Paulo nos oferece ou a própria natureza. Portanto, essa dinâmica é uma questão ideológica. Eu não faço essa diferenciação, concluiu.

Retornei para casa, desafiando a cidade na minha bike. Me senti feliz por não diferenciar  o que nos permite viver juntos sob o céu da capital paulista. Cheguei são e salvo no meu pedaço da bacia do rio Pinheiros (a Vila Madalena).

A cada dia uma nova São Paulo 

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3 ideias sobre “O colecionador de céus

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